• Alexandre Constantini

A festa do e-commerce vai continuar - as Tech Companies na Black Friday de 2020

Os “ventos de cauda” da pandemia que tanto impulsionaram várias das tech stocks ao longo de 2020 devem continuar soprando favoravelmente neste final de ano, tanto na Black Friday como nas vendas de Natal. Apesar de notícias muito favoráveis e encorajadoras sobre algumas vacinas com níveis de eficácia já acima de 90%, sua distribuição em massa não deve acontecer antes do final do 1º trimestre de 2021. E com o repique da doença em vários países e as consequências de uma 2ª onda serem inevitáveis, compras pela internet vão continuar ditando as regras - no nosso entendimento, num movimento secular sem volta.

Esta força do e-commerce deu mostras recentes da sua magnitude no “Singles day” (ou dia dos solteiros) celebrado na China em novembro (o que equivale ao Black Friday e Cyber Monday do mundo ocidental). Neste ano de 2020, em função da pandemia, as empresas chinesas estenderam as ofertas por um período mais longo, ao invés de um único dia. No caso do Alibaba, por exemplo, foram 3 dias de promoções e os resultados foram simplesmente extraordinários: a empresa quebrou todos os recordes de vendas, atingindo astronômicos USD75 bilhões em vendas nesta campanha, ou um crescimento de 26% ano sobre ano. No caso da JD.com (controlada pela Tencent), as vendas também foram recorde e atingiram cerca de USD41bilhões, seguindo um esforço escalonado de vendas entre 1º e 11 de novembro.

Concordamos que a China “is one of a kind”, com números astronômicos e com uma economia já em recuperação (ainda que tímida), mas a tendência de comportamento tem seguido padrões bastante semelhantes ao redor do globo na pandemia. E a facilidade, segurança e conveniência dos marketplaces virtuais vem conquistando cada vez mais adeptos.



Estudo recente da Oracle focando no comportamento dos consumidores ao redor do planeta sugere que por maior que seja nosso anseio em retomar a vida normal e voltar a fazer compras no estilo tradicional, “Home delivery” segue com a preferência de 66% dos entrevistados, ao passo que somente 18% optaram em “store pick-up” e os 16% restantes optaram por “curbside pickup”, ou seja, fazer a retirada em algum lugar mais conveniente que não seja a própria loja. Da mesma forma, o distanciamento social levou as pessoas a uma busca crescente por redes sociais, e praticamente metade dos entrevistados (48% precisamente) confirmaram ter descoberto novas marcas através das mídias sociais. Surpreendentemente, o Brasil lidera este ranking com 80% dos entrevistados nesta situação. Bem menos surpreendente é constatar que o Facebook (com 65% da preferência dos entrevistados) é a plataforma mais usada no mundo para tais descobertas, seguida do Instagram (com 53%) e do Youtube (49%). A China é exceção, obviamente, e 88% dos entrevistados lá usam o TikTok para tais fins, seguido pelo Youtube (30%), Facebook (26%) e Instagram (18%). Tais números e situações corroboram com a visão muito positiva que temos das mídias sociais, com ênfase em Facebook, mas isso fica para um artigo futuro. Nas nossas análises do Newton Fund, temos visões muito construtivas para gigantes de varejo on-line e mídias sociais chinesas, como Alibaba e Tencent, bem como para a norte-americana Amazon.

Falando em Amazon, a empresa segue firme para também surfar maravilhosamente bem o Black Friday, e a prévia foi o “Amazon Prime Day”, realizado nos dias 13 e 14 de outubro, com promoções especiais aos clientes prime. A consultoria eMarketer estima que a Amazon tenha vendido quase USD10 bilhões no mundo nestes 2 dias, sendo USD6.2 bilhões somente nos EUA.

No Brasil, certamente teremos volumes de vendas expressivos no varejo digital nestas datas comemorativas (apesar de uma economia mais fragilizada pos-covid), e players importantes como Mercado Livre, Magazine Luiza, B2W, entre outros, tendem a se beneficiar das suas posições de liderança no e-commerce. Destas empresas, o foco do Newton Fund engloba apenas o Mercado Livre, uma empresa que gostamos muito, não somente pelo seu posicionamento líder como um marketplace de 3ºs, mas pela gama de serviços complementares que a empresa hoje oferece, incluindo logística e serviços financeiros (como crédito, antecipação de recebíveis, conta corrente e meios de pagamento). Desde 2017 até hoje, o Mercado Livre (através do Mercado Pago) já superou R$4 bilhões em empréstimos a pequenos comerciantes que não tem acesso a crédito nos bancos. E recentemente o Mercado Pago recebeu autorização do BC para operar como instituição financeira, o que deve acarretar numa expansão deste portfólio e novas fontes de financiamento. Outro ponto que nos faz gostar de Mercado Livre é seu foco em logística, e a empresa acabou de anunciar a abertura de mais cinco centros de distribuição de produtos pelo Brasil (somados a 19 já existentes). Serão três novos galpões no estado de São Paulo, um em Santa Catarina e outro em Minas Gerais, o que vai garantir entregas mais rápidas e eficientes para todo o Brasil (um dos critérios prioritários na decisão de compra do consumidor). Em posts futuros, discutiremos em maior detalhe cada empresa que compõem o portfólio do Newton Fund, enfatizando as vantagens e fraquezas nos critérios do TMFP (Tecnologia, Mercado, Finanças e Pessoas).


E permanecemos sempre atentos aos eventos individuais, setoriais e sistêmicos, ajustando nosso portfólio adequadamente. Desnecessário dizer que a vacina contra o Covid será ótima para a vida das pessoas, bem como para a vida das empresas, embora não necessariamente boa (de imediato) para as ações de algumas destas empresas, que subiram demais na esteira da pandemia. Cabe aos gestores antecipar os movimentos de mercado que tais mudanças devem provocar. A vacina será ótima para aquecer vários setores que ainda sofrem com a crise, e empresas como Disney (no que se refere aos parques e cruzeiros), operadoras de viagem (Booking.com, sendo a mais relevante) entre outras, prometem uma boa recuperação. O IPO de Airbnb vem a mercado em breve, ilustrando a boa expectativa para o setor. Por outro lado, empresas de video-conference (como a Zoom) tendem a sentir uma desaceleração de receita, e provavelmente terão que se reinventar para continuar crescendo e manter seus múltiplos atuais. Entendemos que o e-commerce é resiliente, e correções pontuais podem representar um “buying opportunity”, principalmente em empresas diversificadas como Amazon (com várias frentes de negócio, além do e-commerce tradicional).


Há muito o que debater, muito para estudar, e ainda muito mais para aprender com estas empresas extraordinárias que transformam o mundo. O Newton Fund é o nosso veículo para aqueles que desejam participar desta jornada fascinante.


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