• José Augusto Albino

NuSócios: A grande jogada de Marketing que pode revolucionar o mercado de capitais brasileiro

Atualizado: 26 de Nov de 2021

A Abertura de Capital (IPO) do Nubank já vinha sendo especulada há alguns meses, e finalmente quando o processo foi iniciado formalmente, a empresa do roxinho inovou mais uma vez e criou o programa NuSócios, abrindo a oportunidade para que clientes do banco recebessem de presente um BDR, que equivale a um pedaço de uma ação. Apesar do valor quase simbólico (o papel valerá cerca de R$10,00 no momento da oferta), a iniciativa gerou muito barulho e vem gerando perguntas sobre se faz sentido ou não para os clientes aderirem ao processo, além de qual o real impacto deste movimento.


Mas antes de entrarmos no detalhe do programa, vale explicar a estrutura da oferta. Assim como diversas empresas brasileiras de tecnologia e financeiras, tais como XP, PagSeguro, VTex e Stone, o Nubank optou por abrir seu capital diretamente nos EUA - neste caso na NYSE. O principal motivo para este movimento é conseguir atrair investidores internacionais, que geralmente participam de uma parte minoritária quando a oferta é no Brasil, mas são a grande maioria quando o IPO é feito lá fora, o que faz muito sentido para o banco que tem pretensões globais e investidores de todo o mundo.


Por ser uma oferta no exterior, investidores de varejo brasileiros teriam dificuldade para participar da oferta, e aí entram as BDRs: Brazilian Depositary Receipts. Estes papéis são negociados na bolsa brasileira e representam a posse de uma ação ou um pedaço de uma ação nos EUA, permitindo que qualquer pessoa física brasileira participe da oferta. No caso do Nubank, um BDR dará ao investidor brasileiro direito a 1/6 de uma ação da empresa na Nasdaq. O programa NuSócios dará de presente uma BDR para cada cliente que aderir ao programa, dentro de um volume máximo de R$225 milhões, por ordem de chegada, portanto abrindo espaço para cerca de 20 milhões de clientes serem sócios da empresa - de graça!


As únicas contrapartidas solicitadas pelo Nubank são: ser cliente do banco daqui 12 meses, não estar inadimplente e abrir uma conta na Nu Invest, a corretora de valores da empresa, que concorre de frente com XP, BTG, Guide, Warren e tantas outras do setor. Se tudo der certo, do dia para a noite o Nubank terá 20 milhões de novos clientes na sua corretora que ainda engatinha e tem pouca expressão no mercado. Sabe qual a relevância disso? De acordo com o relatório emitido semestralmente pela B3, atualmente existem (somando todos os bancos e corretoras) 3,2 milhões de pessoas com aplicações na bolsa, com 3,8 milhões de contas (o número é maior pois cada pessoa pode ter mais de uma conta).


Sim, você leu direito, 3,2 milhões de pessoas! A XP, uma gigante de quase R$100 bilhões de mercado, possui pouco menos de 3 milhões de contas, e a corretora do todo poderoso Itaú soma 382 mil clientes. Em uma jogada de mestre, o Nubank se tornará a maior corretora do Brasil em número de clientes com absurdos 84% de market share. Naturalmente em volume de dinheiro, a empresa ainda estará distante dos líderes, mas a aposta é de que com sua interface diferenciada e serviços inovadores, a empresa consiga atrair mais recursos de seus clientes eventualmente aplicados em outras corretoras ou bancos.



Mas o grande impacto virá da vasta maioria das pessoas que atualmente tem o roxinho como seu parceiro do dia a dia, mas que nunca pensaram em investir, por desconhecimento, medo ou falta de oportunidade, que terá o Nubank como seu primeiro parceiro. O impacto social e macroeconômico disso poderá ser disruptivo para o país, gerando uma cultura de aplicação e educação financeira e desenvolvimento de mercado de capitais pulverizados, aspectos que foram fundamentais no desenvolvimento das nações de sucesso ao redor do mundo.


Com uma tacada de mestre (e barata...) o Nubank deverá se tornar líder de mercado, atropelando players consolidados que demoram anos para crescer. Esta operação abrirá uma nova linha de negócio ao banco, altamente alinhada à sua estratégia de oferecer (e monetizar) novos serviços em sua base de clientes. Ao mesmo tempo, a empresa ajudará 20 milhões de brasileiros a ter acesso à bolsa de valores pela primeira vez, um cenário que nem nos melhores sonhos da B3 ou do ministério da economia poderia acontecer nos próximos 10 anos. Esta revolução, além de trazer lucro ao Nubank, poderá trazer impactos de longo prazo para todo o mercado, antecipando um antigo sonho de um mercado de capitais robusto e democratizado.


Agora sobre a pergunta “vale a pena participar do programa NuSócios?”, nossa visão é clara: com certeza! Além de ser um ganho gratuito (ok, são apenas R$10,00, mas nos dias de hoje, quem abre mão de dinheiro?), será uma grande oportunidade de conhecer uma nova ferramenta de investimento que, se for tão inovadora como o cartão roxinho foi, poderá mudar a maneira que fazemos investimentos.


E se é para dar sugestões, aproveitamos para dar uma nova ideia: se a oferta e o programa forem um sucesso, já podemos substituir a polêmica estátua do Touro de Ouro na frente da Bolsa, por uma estátua do David (fundador do Nubank) e da Cris Junqueira (co-fundadora e CEO Brasil), dourados. A homenagem seria mais que merecida, pois se tudo der certo, eles terão revolucionado a economia brasileira, e de forma democrática e original. Boa sorte a todos, e no aguardo da inauguração da estátua!


F=ma


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