• Natan Epstein

O futuro da Apple depois de seu último lançamento

Na semana passada a Apple apresentou a sua nova linha de produtos, com mudanças em todos os segmentos, ainda que sem grandes novidades tecnológicas em relação ao último ano.


O grande destaque do evento foi, claro, o novo iPhone (versão 13). O novo telefone (alguém ainda usa o iPhone para fazer ligações?) possui as vantagens que os analistas já esperavam (processador mais rápido, maior duração de bateria, câmera capaz de criar fotos e vídeos ultrarrealistas), porém pouco além disso; mesmo a promessa de uma velocidade superior àquela apresentada pelas marcas concorrentes, a conexão 5G do novo iPhone ainda depende da disponibilidade do sinal, algo que não é garantido nos EUA (apenas nos grandes centros urbanos é possível obter o melhor sinal 5G). É verdade que outros produtos também apresentaram mudanças (destaque para o iWatch, que continua a evoluir rapidamente), porém é inegável a importância que o iPhone tem para a companhia: desde 2011 o telefone responde por mais da metade da receita da empresa, além de ser a principal plataforma sob o qual são vendidos outros tipos de serviço, como Conteúdo e Apps, sejam eles de desenvolvimento próprio, sejam de terceiros.


Esse “domínio” do iPhone sobre o faturamento da Apple não significa, entretanto, que a empresa tenha errado ao focar em outras divisões: a linha de acessórios quadruplicou (notadamente iWatch) as vendas nos últimos 10 anos, enquanto a parte de Serviços (iCloud, Música e AppleCare) foi multiplicada por 7x. Ainda assim, o iPhone representa +50% de toda a Receita, e a estimativa dos analistas de mercado é que continuará a responder por +50% da Receita nos próximos anos.

É extremamente difícil para uma empresa conseguir apresentar uma real melhora e inovação no seu principal produto todos os anos, especialmente quando esse produto está no mercado há mais de 10 anos, mas é isso que a Apple tem feito anualmente. O evento anual de apresentação de novas tecnologias da Apple é tão importante que marca o início do ano fiscal da companhia, e define as bases para que os analistas projetem dados como receita e lucro. A falta de uma novidade mais “relevante” no evento fez com a ação da Apple apresentasse um desempenho pior que o índice Nasdaq na última semana, caindo 2,3%.


Entrando especificamente no tema de Vendas, um estudo feito pelo Banco de Investimento Credit Suisse mostra que, no ano subsequente à introdução de mudanças significativas nos aparelhos (como foi a introdução do 5G no iPhone 12), é possível observar uma queda nas vendas de dispositivos de, aproximadamente, 5% em relação ao ano anterior. No caso do iPhone 13 isso pode ser diferente, entretanto, dado que vemos planos agressivos de venda de algumas operadoras norte-americanas (que oferecem descontos de até $1000 para os novos aparelhos), o que deve impulsionar as vendas.


Um aspecto interessante, do ponto de vista financeiro, é que o preço dos novos iPhones vêm se mantendo relativamente estável (de $800 para o modelo mais simples até $1200 para o mais avançado) desde 2018, o que mostra que a empresa parece ter achado o seu range de preço ideal de reposição. A manutenção do preço de venda do principal produto não significa, entretanto, que a margem bruta da companhia tenha ficado estável: graças ao aumento de exposição à outras divisões com melhor margem (como a de Serviços), a margem bruta da companhia vem aumentando a cada trimestre, ficando acima de 40% nos últimos dois resultados, e superando as expectativas dos analistas de Mercado. A empresa, inclusive, bateu as estimativas em 7 dos últimos 10 trimestres, sendo que dos três trimestres nos quais a empresa ficou abaixo das projeções, dois foram durante a pandemia de Covid nos EUA.


Historicamente, as ações da Apple costumam apresentar um retorno superior àquele obtido pelo S&P500 nos meses que antecedem a divulgação de novos produtos e um retorno inferior nos meses subsequentes às divulgações cujas inovações não sejam relevantes, perdendo em média 5,2% para o índice. Nos parece claro que sempre existe uma grande expectativa ao redor do evento de lançamento (elevando o preço da ação), após a qual o Mercado “reavalia” as suas projeções de acordo com as informações apresentadas e, diante de expectativas piores, se desfaz das ações em busca de outras oportunidades.


Hoje estamos, no Newton Tech Fund, com uma alocação (em termos percentuais do portfólio) marginalmente abaixo daquela vista no índice que serve como benchmark (Nasdaq-100), e não devemos alterá-la em função dos anúncios recentes, por acreditarmos que os fundamentos que tornam a Apple a empresa mais valiosa do mundo continuam intactos, sendo ela líder em inovação tecnológica e com um mercado potencial ainda em crescimento. O roadmap da empresa também nos parece bastante claro, além de enxergarmos na empresa uma fortíssima geração de caixa e capacidade para conquistar novos mercados sem prejudicar o balanço da companhia.


F=ma


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