• Felipe Balestrin

Os próximos passos do Facebook

O que começou como “mais uma plataforma de social media”, virando febre com suas funcionalidades criativas, passando por uma onda de jogos sociais, descobriu nos anúncios uma forma de revolucionar a propaganda moderna. Hoje, com 2,853 bilhões de usuários mensais, mais do que o dobro da população da China, o Facebook é, sem dúvidas, uma das mais importantes e interessantes empresas de tecnologia do mundo.


Como profissional com histórico na economia criativa, pude acompanhar a queda das agências de publicidade tradicional e o nascimento do marketing digital. O modelo de negócios de mídia digital é uma realidade e trouxe fenômenos importantes, inclusive na cultura das novas gerações. Poderíamos passar o artigo todo discutindo sobre os novos criadores de conteúdo (não se limitando aos “Youtubers”). Porém, nosso olhar hoje é para frente – para o que essa empresa pode se tornar e quais as bases têm hoje para isso.

Provavelmente a análise mais interessante que podemos trazer brevemente sobre Facebook vêm das suas últimas aquisições. Segundo o Crunchbase.com, já foram 89. Vamos olhar para as últimas 10:


Dentre elas, temos várias aplicações incrementais nas plataformas atuais da empresa – como a Giphy e seu banco de dados dos populares GIFs que povoam nossas conversas no grupo de família. Porém, vamos analisar mais a fundo:

  1. CTRL-labs

  2. Scape Technologies

  3. Mapillary

  4. Lemnis Technologies

CTRL-labs e Lemnis Technologies são empresas de hardware. A primeira, um dispositivo externo que interpreta os sinais cerebrais no comando dos músculos através de uma pulseira. A segunda, tecnologia aplicada aos óculos de AR e VR. Sua aplicação combinada, junto do trabalho que o Facebook já desenvolve, ficou mais evidente na apresentação do Facebook em seu portal de tecnologia tech.fb.com, especificamente aqui.

As outras duas, Scape Technologies e Mapillary são empresas de mapas, falando de forma simples. Ambas com aplicações bastante interessantes do uso de câmeras locais (não satélites) para mapeamento de forma mais precisa e frequente.

É nesse movimento que as aplicações ficam mais interessantes. Com uma popularização de óculos individuais, este mapeamento contínuo colocaria o Facebook em um outro patamar de competição no mercado de mapas, além de abrir espaço para seu serviço de agenciamento de mídia programática em uma nova plataforma. Imagine um outdoor que só é visto em seu óculos de realidade aumentada, passando a propaganda que o Facebook recomenda pra para você. Facebook tem hoje aproximadamente 10 mil pessoas trabalhando nessa frente da empresa, próximo de um quinto de sua força de trabalho. Certamente há grandes planos envolvidos.


Reforçando sua solidez, podemos sempre ressaltar a autonomia operacional do Facebook. Por exemplo: chama a atenção o fato de não ter entrado no serviço de Cloud, seguindo outras big techs, porém mantém sua estrutura própria com respeitável robustez:



Por fim, destacamos o crescimento de 30% no ano-sobre-ano da receita, mesmo que ainda dentro da sazonalidade, é muito acima do ano anterior e um resultado impressionante considerando o tamanho da empresa:



Atingir esse patamar de crescimento, mantendo a cultura de inovação e lançando projetos como os que vimos, além de retomar seu projeto de moeda digital – agora chamada de Diem – assunto para um próximo artigo – é uma prova irrefutável de que esta gigante tech está preparada para entregar novas experiências e se adaptar aos novos mercados.


No momento que este artigo é escrito, seguimos acompanhando os riscos regulatórios e os possíveis impactos das reaberturas econômicas no cenário pós-vacinação no mercado de mídias digitais, porém com confiança em nossa posição em Facebook.


F=ma