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Por que analisamos as pessoas das empresas do nosso portfólio?


Como uma vez disse um dos maiores empreendedores de tecnologia do país: “Os donos de uma empresa de tecnologia todos os dias enxergam seus ativos saindo pela porta 18h, e rezam para que eles voltem as 9h do próximo dia”

O processo de tomada de decisão de investimentos no mundo do Venture Capital, principalmente para startups de estágios iniciais, é bastante complexo. Precisamos analisar o tamanho de mercado que se está tentando atingir, qual o problema uma determinada empresa está se propondo a solucionar, aspectos financeiros da mesma e quais as características do produto, levando em conta também como o mesmo se posiciona entre a concorrência - direta e indireta. Dito isso, existe outro aspecto que permeia todos os já mencionados, e por isso é o que apresenta maior risco: a capacidade de execução da equipe. Assim, acreditamos que o time fundador e gestores das empresas é um dos fatores mais importantes para decidir realizar um aporte financeiro.

No entanto, quando olhamos para os reports e estudos sobre as empresas listadas na Bolsa produzidos pelos fundos e grandes bancos, vemos que, na maioria dos casos, ainda se assume a velha máxima que negócios são capital, fluxo de caixa, tamanho de mercado, marca e branding, negligenciando o fato que hoje, mais do que nunca, empresas são ativos baseados em pessoas. São pessoas que desenharam a interface do primeiro iPhone, o primeiro protótipo da Tesla e o algoritmo de recomendação de músicas do Spotify. Por outro lado, também foram pessoas que definiram a estratégia de produto da Nokia e fraudaram os balanços da Enron, e tomaram tantas outras decisões equivocadas que levaram ao fracasso de empresas de sucesso.

E não somos só nós e nosso background de Venture Capital que diz isso, são a Rythm Systems, Diligent Insights, New Jersey Business, e centenas de outras pesquisas globais com CEOs que, ao perguntar qual a maior preocupação interna deles, a resposta é sempre a mesma: captação e retenção de talentos. E se, essa é a preocupação dos gestores das empresas da nossa carteira, acreditamos que também deva ser a nossa. Essa preocupação existe não só no âmbito internacional, mas no nacional também. A partir do momento que a maior preocupação do Jorge Paulo Lemann não é ketchup e nem cerveja, mas sim, pessoas, sabemos que essa tese está validada.


Na metodologia de formação de carteira do Newton Tech Fund, o TFMP, a letra P representa o fator People, que compõe a análise em proporções semelhantes à fatores comuns de equity research, como já mencionado. Acreditamos que a complementaridade destas abordagens tradicionais junto ao histórico de investimento de capital de risco, levando em consideração a análise de pessoas, por exemplo, é o grande diferencial do Newton Tech Fund. Assim, para entender de forma palpável o aspecto humano da empresa, quebramos esse critério em 2 subcritérios, balanço cultural e meritocracia da liderança.


O primeiro aborda pontos de atenção relevantes para qualquer cultura organizacional, como: diversidade, satisfação dos colaboradores, sentimento de dono e governança; entendemos que culturas fortes são não somente um diferencial competitivo perante mercado, mas também perante recrutamento e seleção de talentos. Aqui, empresas como Disney, Google e Salesforce se destacam, e não é à toa que estão listadas, por exemplo, no Great Place to Work.


Recentemente, foi lançado o livro que conta sobre a famosa cultura organizacional da Netflix, o No Rules Rules, e embora seja sim uma cultura com altíssimo desempenho em satisfação de colaboradores e sentimento de dono, acreditamos que a gigante de streaming ainda tem muita estrada pela frente em questões como autonomia dos executivos, para citar um exemplo. Em paralelo, o CEO da Disney, Bob Iger, explorou muito da relação entre a cultura e a expansão da empresa no livro The Ride of a Lifetime. Se acostumando com a possibilidade da falha - mas não a falta de esforço - Bob afirma que a transmissão dessa nova postura frente aos mais de 200.000 colaboradores do grupo é o que garantiu uma cultura cada vez mais propício para a inovação, e como isso refletiu em números de crescimento expressivos da empresa.

“Value ability more than experience, and put people in roles that require more of them than they know they have in them.” Bob Iger

Além disso, o posicionamento inovador na gestão de pessoas também é um ponto que se relaciona diretamente com o critério de meritocracia - outro ponto chave que analisamos. Nesse contexto, quesitos como retenção de talentos, compensações financeiras para os colaboradores e protagonismo dos fundadores são pontos que sempre levamos em consideração. Aqui a Microsoft e a Apple são um belíssimo exemplo. Gostamos muito do que o Satya Nadella tem feito com a criadora do Windows, montando uma verdadeira tropa de elite no time executivo da companhia; aqui destacamos a Kathleen Hogan, Chief People Officer, que tem priorizado, entre outros projetos, a diversidade da empresa. Já no caso do bond das FAAMGs, acreditamos muito na abordagem que o Tim Cook tem tomado, ao “preparar a maior quantidade de pessoas possíveis para serem CEO”.

No research do Newton Tech Fund sempre estamos buscando diferenciais que possam trazer maior alfa para nossos cotistas, e por isso adoramos unir venture capital e equity research. Entendemos que um dos nosso maiores diferenciais em relação ao mercado é analisar o maior ativos dos negócios: seu fundadores, seus executivos e os times das empresas do nosso portfólio.

F = m.a