• Thiago Lobão

Por que não investimos na B3 quando o assunto é tech?

Atualmente, 10 meses após o lançamento do Newton Tech Fund e com orgulho de apresentar resultados consistentes acima de boa parte dos peers internacionais, continuamos respondendo uma pergunta que, temos certeza, sempre vai nos acompanhar: não seria melhor para uma equipe de brasileiros montar um fundo de investimentos com foco prioritário em techs nacionais?


Vou tentar ser sucinto para explicar nossa visão na Catarina Capital: por mais que o ambiente empreendedor no Brasil esteja em ótimo momento, com uma safra robusta e crescente de unicórnios, ainda faltam elementos importantes quando comparamos as Techs listadas no Brasil em relação a líderes e expoentes em escala global. Trata-se de um fenômeno natural para uma cadeia de Venture Capital local ainda em amadurecimento, com resultados de tração muito fortes, mas ainda bastante jovem no ambiente de Bolsa.


Entendemos então que não vale a pena olhar para as Ações Tech brasileiras? Nada disso!


Significa que investir em Tech no Brasil exige um olhar extremamente criterioso e que, por ora, são ainda alguns primeiros ativos que realmente superam uma régua mínima de fundamentos que tragam conforto na tomada de decisão de alocação.


Vou buscar sintetizar alguns pontos que suportam nosso posicionamento ainda precavido em relação a Tech Brasil, usando elementos de nosso modelo de análise, o TFMP (acesse o newtonfund.com.br para saber mais):

  • T - Tecnologia: lamentavelmente, ainda é praxe de mercado no Brasil não reportar informações e dados específicos em Pesquisa & Desenvolvimento (o que dificulta muito uma visão mais apurada de cada companhia). O principal agravante se dá quando analisamos mais a fundo informações sobre o roadmap tecnológico e/ou de modelo de negócio das nossas techs – são poucos os casos em que se identifica um diferencial de que vá além da visão de ser pioneiro em adaptar uma tendência global no mercado brasileiro (com crescimento direcionada à LATAM). Ainda são raros os casos em que se identificam desenvolvimentos de ciência de fronteira e/ou propostas de tecnologia que transformem consideravelmente cadeias produtivas já existentes. A mensagem importante aqui é que não dá para empresas com inovações incrementais locais buscarem múltiplos de EV/Receita que sejam páreos a líderes globais com alto potencial de disrupção. É preciso monitorar com atenção como os múltiplos das Techs brasileiras se comparam frente a pares globais, em especial em análises de curvas históricas, dado que muitas vezes estamos olhando ativos em estágios de maturidade significativamente diferentes.

  • F – Finanças: Um bom conjunto de Techs nacionais parte de números de Receita muito modestos, com percentuais de crescimento ano após ano que não superam os resultados de players globais. Aqui vai uma crítica mais ferrenha à dinâmica de vinda das Techs ao mercado aberto via IPOs. É muito importante separar o joio do trigo de negócios e evitar companhias que vieram para IPO em vista de uma nova avenida de liquidez para VCs que não encontravam uma forma sustentável de venda de suas posições. Novamente, é extremamente importante reparar quais empresas apresentam guidances com dinâmicas de crescimento que dialoguem com aquelas observadas em pares internacionais em estágios anteriores. Não dá pra supervalorizar múltiplos de ativos que ainda vão ter que enfrentar desafios já superados por outras referências.

  • M – Mercado: É de se contar nos dedos as empresas brasileiras que realmente alcançam escala global, especialmente quando olhamos para além das cadeias de commodities. Embraer e WEG são duas felizes exceções, mas a nova safra de IPOs de Techs ainda revela, na sua maioria, empresas que ainda dão seus primeiros passos em rotas globais de crescimento, o que é muito comum para o estágio de desenvolvimento em que se encontram atualmente. Agora, é importante novamente destacar bem os ativos que realmente apresentam planos e resultados iniciais sólidos em estratégias de internacionalização – empresas que buscam gradativamente desenvolver meios de para escalar go-to-market de forma descentralizada e, em paralelo, atuam para reduzir barreiras competitivas e/ou de propriedade intelectual frente a players estrangeiros.

  • P – Pessoas: Aqui talvez se destacam alguns dos pontos críticos podem surpreender negativamente – algumas Techs “brazucas” ainda detêm dinâmicas de governança de botequim, com pouquíssima complementaridade de perfis entre tomadores de decisão, falta total de consciência sobre equidade social em cargos de liderança e pior, conflitos familiares na gestão do dia-a-dia. Como pode haver perspectivas tão fortes de crescimento em negócios que ainda precisam lidar com tantos conflitos internos? É fundamental valorizar nossos negócios nacionais que se fortalecem sobre boas práticas de governança em sua dinâmica de tomada de decisão.


Em resumo: investir em Tech Brasil exige atenção redobrada. O mercado está amadurecendo passo a passo e é natural que haja uma separação clara dos bons ativos conforme os resultados apareçam. No Newton Tech Fund, depois de percorrer basicamente todas as Tech Companies da nova safra de ofertas brasileiras, devemos construir posições iniciais em no máximo 2-3 ativos nacionais dentro de nosso portfólio (com amplitude de 25 a 30 papéis comprados). Enquanto isso, mantemos nossa responsabilidade em montar Carteiras Tech vencedoras, seja aqui, seja no exterior.


Quer saber sobre quais posições no Brasil deveremos ter e ver números sobre a análise de Tecnologia, Finanças, Mercado e Pessoas que comentei em resumo? É sempre um prazer poder falar com investidores e gestores sobre o tema Tecnologia: não hesite em entrar em contato conosco! Fique à vontade para enviar diretamente e-mail para thiago.lobao@catarinacapital.com.br.


F=ma


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