• Alexandre Constantini

Shopify - A Amazon dos lojistas

Atualizado: Ago 25


Hoje queremos falar de Shopify (SHOP), uma empresa que gostamos muito. Trata-se de uma plataforma de comércio eletrônico na qual os usuários podem criar sua própria loja virtual totalmente hospedada com domínio personalizado. Outros serviços oferecidos aos lojistas incluem opções de cartão de crédito, financiamento de operações e desconto de recebíveis, software de ponto de venda, apps diversos.


A Shopify beneficiou-se fortemente dos impactos do Covid, pegando este “vento de cauda” que impulsionou o crescimento e popularização do e-commerce no mundo todo. Pesquisas indicam que 97% das empresas viram sua estratégia de comunicação digital acelerar para uma média de 6 anos em função da pandemia. E as mudanças de comportamento dos consumidores - substituindo compras presenciais por compras on-line - parece ser irreversível. Tal fenômeno facilmente explica e evidencia as grandes vencedoras neste cenário, ou seja, empresas de tecnologia em segmentos variados (vendas on-line, streaming de conteúdo, mídias sociais, jogos e entretenimento, marketplaces de e-commerce). E a Shopify, como uma ferramenta que ajuda os comerciantes a migrar do formato “Bricks and Mortar” para lojas virtuais, surfou maravilhosamente bem essa onda, a qual ainda tem um longo ciclo de crescimento positivo, no nosso entendimento.


Em aspectos de Tech Endorsement, vemos Shopify muito bem posicionada, investindo fortemente em R&D, com foco total no seu core business de ser uma plataforma de e-commerce “one-stop shop”, oferecendo aos seus clientes todas as ferramentas necessárias para a migração do varejo físico para o varejo on-line. Vemos com muita clareza sua trajetória ao longo do seu “Roadmap” com lançamentos de novos Apps e enorme aceitação dos seus clientes; Por outro lado, Transformation Depth, trata-se de um business altamente escalável, baseado em cloud computing, impactando várias cadeias de valor, com recorrência de receitas e forte apelo nas redes sociais. Embora sofra competição e possa ser substituído por outros players, a gama de serviços oferecidos, amplamente

amparada pela vasta rede de prestadores independentes que contribuem com suas Apps, torna o Shopify uma solução de ponta e um formidável competidor.

A empresa tem reportado um crescimento de receitas muito forte e consistente, com um mix que começa a se diversificar com a introdução de novos produtos e serviços, principalmente serviços financeiros (com alta margem e rápida expansão, principalmente num momento onde pequenos comerciantes enfrentam sérios problemas de liquidez). Além disso, 41% da receita vem de mensalidades, sugerindo boa recorrência, e consequentemente, previsibilidade na geração de caixa.

Ao analisar o quesito Cash Flow Health, a Shopify tem uma confortável posição de caixa líquido (superando 2 bilhões de dólares), o que lhe garante tranquilidade para investir e expandir (orgânica e inorganicamente). Sua geração de caixa operacional acumulada ainda é negativa, em função de seu nível de maturidade ainda em desenvolvimento, mas que já começa a apontar para o break-even num futuro próximo. Como uma ótima sinalização para tal, o bottom-line já virou positivo no último trimestre.

Em termos de liderança de mercado, vemos Shopify muito bem posicionada, não somente em market share, mas também como posicionamento de produtos e serviços. Shopify desenvolveu uma plataforma e incluiu os serviços mais básicos (como a interface de pagamentos, por exemplo), e abriu sua plataforma para desenvolvedores externos, que adicionam seus apps à plataforma da Shopify. São mais de 30,000 especialistas (web designers, fotógrafos, agências) que já criaram mais de 4,600 apps, tornando a experiência de construir sua loja virtual na Shopify uma experiência única e aprazível. Esta relação simbiótica de terceiros com a Shopify vem sendo construída ao longo de vários anos, e é um diferencial importante. Afinal, o sucesso de um é também o sucesso do outro.

No quadro macroeconômico, temos Shopify focando principalmente em micro-merchants ou pequenas e médias empresas, num mercado potencial de USD 80 bilhões, pelos dados da própria empresa. A empresa atende mais de 1 milhão de clientes espalhados em 175 países, com metade de sua receita sendo gerada nos EUA. Com esse crescimento secular do e-commerce, os estímulos socioeconômicos para que mais empreendedores vendem on-line fortalece o business model da Shopify.


Considerando o balanço cultural, Shopify tem posição de destaque, com reports

especializados mostrando uma satisfação acima da média dos seus funcionários, e

também um senso de ownership alto. O management nos parece bem alinhado e com

foco claro na realização de metas, tornando a empresa lucrativa em poucos trimestres.

Por outro lado, considerando a meritocracia em termos de liderança, temos a percepção de que a ascensão de carreira poderia ser melhor, embora tal quesito seja um desafio recorrente nas tech stocks, que tem turn-over alto e tempo de permanência de cerca de 2 anos. O C-level nos parece bastante competente, ilustrado com bons resultados da empresa. O fundador (Tobias Lutke) segue como CEO e chairman do Board, e desempenha um papel importante na cultura e liderança. Por fim, as métricas financeiras de

produtividade (receita/funcionário) são saudáveis e o senior management (muito bem

remunerado) está em linha com outras empresas do setor.


O mercado capturou bem as tendências discutidas acima, com a ação da Shopify subindo impressionantes 230% nos últimos 12 meses. E aí que vem a dúvida: o que fazer com Shopify daqui pra frente? Métodos tradicionais de research nos mostram uma empresa negociando a múltiplos surreais, como 45x P/Sales 20. Ou seja, numa análise fria e “ao pé da letra”, a Shopify precisaria retornar por mais de 4 décadas a totalidade de suas vendas na forma de dividendos aos acionistas para justificar o valuation atual. Isso complica ainda mais se levarmos em conta todas as despesas de R&D, Vendas, G&A e custo de serviços reportados pela empresa. Ainda assim, Shopify se mantém estável e com 90% das recomendações do Sell-side no Bloomberg entre Buy (40%) e Hold (50%). Ou seja, há um consenso claro que ainda há valor na ação.

Nossa análise nos mostra que a Shopify – nesta luta de gerar fluxo de caixa operacional positivo – vem se aproximando cada vez mais desta meta, o que levaria a empresa a um novo posicionamento na curva (passando de Struggler para Winner). Indo além da nossa análise, o NY Times recentemente também deu destaque pra trajetória recente da empresa. Esta mudança acarreta um upgrade de valuation, o que seguramente já explica em boa parte o valuation atual. Isso demonstra que o mercado já se antecipou parcialmente a este movimento, embora temos convicção que o bom momento de Shopify tende a continuar. Isso porque levando em consideração que há mais por vir em termos de crescimento de receita, melhora de margens, e expansão sobre novos segmentos de negócios, Shopify pode continuar sua jornada por melhores posicionamentos na curva, destravando ainda mais valor.




F=ma


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