• Newton Team

Tesla - Divulgação de resultados 21Q1

Iniciando a primeira "earnings season" após o Mercado aumentar as apostas na alta da taxa de juros de médio prazo, pelo governo americano, e o ajuste de preço consequente nas tech companies que isso gerou, a Tesla divulgou os seus resultados neste terça feira (26/04), sendo um dos nomes de peso que divulgaram nos últimos dias (como AMD, Shopify, Google e Microsoft).


Ao nosso ver, foi um resultado em linha com o esperado pelo mercado. Os principais drivers da empresa (piloto automático e produção) não apresentaram novidades relevantes, o que pode ser considerado um balde de água fria nos investidores. No entanto, vale destacar que o fluxo de caixa (algo pouco focado pelos investidores de tech) veio muito acima das expectativas. A empresa também aumentou investimentos em R & D, que passou de 5,4% para 6,4% da receita.

O resultado foi majoritariamente impactado por dois fatores que não são core da empresa: um ganho relevante com a valorização do bitcoin (que parece cada vez mais presente no balanço da empresa) e a Receita de Crédito Regulatórios. Ambos itens devem compor parte do dia-a-dia da empresa, ainda que não sejam os principais negócios da companhia.


A receita do trimestre veio em $8,5 bilhões, contra $8,7 bilhões esperados, resultado de um mix diferente de produtos e os atuais limites de produção. Nesse item, a empresa vendeu um número menor do que o esperado dos modelos S e X, que possuem um preço maior. Além disso, Tesla destacou que o volume de ordens recebido foi o maior da história da companhia, e que está focada em ampliar a produção “o mais rápido possível”.


O aumento na receita proporcionou um crescimento na classificação da empresa em diversos indicadores do nosso modelo: Gross Revenue, Cash Flow Generation, Debt Volume e Debt Capacity foram elevados. Os dois últimos, Debt Volume e Debt Capacity, estão ligados ao pagamento de dívidas da empresa e aumento no EBITDA.

Os custos ligados à parte automotiva aumentaram em linha com as receitas, mantendo a margem estável. A divisão de Energia, entretanto, apresentou uma perda inesperada, fazendo com a margem da empresa ficasse “apenas” 0,50% acima das expectativas.

O grande destaque do resultado do 1Q foi a geração de caixa operacional apresentada, de $1,6 bilhões, contra $1,1 bilhões esperado: em relação ao 1Q20, houve uma redução considerável no Capital de Giro e aumento na depreciação e resultado líquido.


Como comentado, nenhum dos dois grandes drivers de crescimento da empresa - piloto automático e produção - apresentou alterações relevantes no 1Q21:


- A evolução da área de piloto automático apresentou uma nova versão do programa, mas o grande destaque foi a afirmação da empresa que, possivelmente, não será necessário utilizar nem radares, nem LiDAR para o sistema funcionar: a companhia está evoluindo rapidamente seu software e espera que ele funcione apenas com as câmaras instaladas nos carros. Isso tornaria o sistema muito mais barato ao consumir menos energia e também tornar desnecessário a utilização de radares;


- Com relação ao crescimento da capacidade de produção da empresa, a construção das novas fábricas (Berlin e Texas) continua dentro do programado, e devem entrar em operação no final deste ano. A empresa reiterou a meta de crescer 50% ao ano nos próximos anos.


Fábrica em construção em Berlin (Fonte: Tesla)



Por fim, um comentário sobre a questão da falta de semicondutores no Mercado Automotivo: a empresa endereçou rapidamente o assunto, afirmando que, apesar de não ter gerado um impacto negativo no 1Q, é possível que possamos ver alguns problemas de produção no 2Q e 3Q relacionados à essa questão.


Em resumo, gostamos da melhoria de resultados financeiros que a empresa apresentou, e acompanharemos de perto como avança o desenvolvimento das novas plantas.



F=m.a


//


Farid Londono