• Bruno Freitas

Is the silicon shield broken?



Nos últimos dias a visita da Presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan tem estampado a capa dos principais jornais do mundo ao mesmo tempo que a tensão entre China e Estados Unidos chega ao seu clímax. Não é para menos, eram 25 anos que um membro do alto escalão do governo americano não colocava os pés na ilha Formosa. Aos que nos acompanham, já devem saber da grande importância que Taiwan tem para o setor de semicondutores e o desenvolvimento tecnológico global, caso contrário, recomendo ler nosso artigo Chip is the new oil.


Poderíamos ficar horas discutindo as consequências geopolíticas desta visita e os blefes e exercícios militares que a China vem fazendo na região, porém como bons investidores em tecnologia, nos cabe analisar as causas e consequências tecnológicas na guerra dos nanômetros. A produção de chips possui uma alta concentração geográfica no continente asiático, em principal em Taiwan com a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). A TSMC possui 51% do mercado de manufatura de chips global, o mais assustador é quando olhamos para os chips mais avançados e de menor geometria, onde chega a ter cerca de 90% do share do mercado.


Global foundry market share in April-June (dados de 2021)



Essa importância para o supply chain global de semicondutores que freou os planos da China de uma unificação de território, dando à empresa o apelido de “Silicon Shield”, quando uma boa parte da sua indústria depende dos semicondutores produzidos na ilha. Aqui vale mencionar um fato importante que apimentou mais essa guerra tecnológica, menos de uma semana antes de sua visita a Taiwan, Nancy Pelosi conseguiu aprovar na Câmara o CHIPS Act, um pacote de estímulos que inclui por exemplo US$52 bilhões em subsídios para a produção doméstica de semicondutores é um importante passo para assegurar os Estados Unidos na disputa tecnológica de chips.


Entretanto, neste mesmo segmento, acreditamos que esse cenário seja benéfico para a GlobalFoundries. Uma multinacional americana fabricante de semicondutores com 7% de market share, plantas fabris nos Estados Unidos, Alemanha e Singapura. Com uma estratégia de focar na produção de chips de geometria mediana, não investindo bilhões de dólares para fabricar o chip mais avançado e sim criar fortes relações com seus clientes através de contratos de longa duração com base na segurança do fornecimento sem a dependência da boa relação e ego entre as duas maiores nações do mundo, tendo como seus maiores clientes a AMD e a Qualcomm.


Por ser uma empresa recente, fundada em 2009 e listada em 2021, e com atuação num segmento que exige grande quantidade de capital, a GlobalFoundries vem melhorando seus indicadores financeiros conforme aumenta seu volume de negócios. Assim como mencionamos anteriormente, a guerra dos nanômetros é a nova corrida pelo petróleo e já emite sinais claros que tem o poder de ditar os rumos da nova ordem mundial.


Além da boa performance operacional e desenvolvimento tecnológico, a GlobalFoundries tem como maior driver de crescimento a visão por parte de grandes fabricantes de eletrônicos e chips da necessidade de diluir o risco China/Taiwan, que deve migrar parte das cadeias de suprimento para o mundo ocidental e para países mais estáveis politicamente. Na nossa visão, a GlobalFoundries é a empresa que reúne os melhores aspectos de massa (sólida tecnologia, eficiência operacional, etc.) e de aceleração pelo potencial de crescimento pela tendência macroeconômica, sendo a grande força no setor.



F=ma


Bruno Freitas

Analista Tech Equities