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Por que o brasileiro em geral não investe nas principais empresas de tecnologia no mundo?

A oportunidade iminente no crescimento e performance das Big Techs


Mas afinal, quando o brasileiro vai sair de seu casulo tupiniquim e começar a realmente ganhar dinheiro investindo nas principais empresas de tecnologia do mundo?


Há alguns anos, seria impensável acreditar que o Brasil teria condições de se adequar a um desenvolvimento econômico com controle de inflação e, ao mesmo tempo, queda gradativa de juros. Pois bem, acredite ou não, cá estamos: passamos a conviver num contexto inédito no país, mesmo diante de tanta conturbação política e de uma reviravolta imprevisível na dinâmica do crescimento global, desencadeada pela Covid-19. Mesmo na crise, o Brasil persiste em um patamar saudável de juros, sem apresentar, até o momento, grandes desníveis inflacionários - um contexto que traz à tona um cenário desafiador na busca por rentabilidade em investimentos: a necessidade de diversificação e exposição a novas classes de ativos, principalmente em renda variável.


Surge, então, uma nova questão: há como se manter alocação com retornos sólidos como aqueles antigamente obtidos na época de juros na casa dos 2 dígitos?


Temos plena convicção de que sim, é possível - há de fato como continuar apurando belíssimos retornos sobre capital, mesmo em tempos de pandemia. O momento de agora, no entanto, acaba separando literalmente o joio do trigo, num emaranhado de opções de investimento. Trata-se de incentivo importante para amadurecimento do investidor brasileiro, para um caminho de alocações não somente tupiniquins, mas com visão globalizada. De fato, já é visível a demanda por informações de produtos de alocação estrangeira, para investidores brasileiros cada vez melhor ávidos por ativos que saiam do balaio comum de uma bolsa nacional ainda pouco diversificada. Esse movimento é expandido por uma nova massa de investidores recém-chegada ao mercado de renda variável, estimulada pela democratização das plataformas de distribuição de investimentos.


Investir fora do Brasil tem se transformado numa realidade para além das antigas restrições de mercado, no qual alocações internacionais eram privilégio de poucos - famílias ou indivíduos de altíssimo patrimônio e investimentos concentrados em estruturas offshore dedicadas. Atualmente, investidores admitidos como qualificados (patrimônio acima da faixa de R$ 1M) já podem alocar recursos em FIAs (Fundos de Investimento em Ações) expostos 100% em ativos estrangeiros, totalmente comercializados em moeda forte (dólar).


O desafio passa a ser outro: como identificar as melhores oportunidades em mercados maduros de investimento? E a quem confiar patrimônio em alocações estrangeiras, até então pouco exploradas pelos gestores locais?


A resposta para ambas as perguntas nasce de uma nova geração de empreendedores financeiros no Brasil. Um conjunto de profissionais com formação nas principais universidades do mundo, grande exposição internacional e olhar detalhado sobre ativos estrangeiros, como referências em um setor até então inexplorado nas alocações brasileiras mais típicas: o vasto espectro das empresas globais líderes no desenvolvimento de tecnologia, nas mais diferentes áreas de conhecimento e aplicações.


O Brasil gradativamente tem se libertado de um mercado de capitais viciado, repleto de analistas tradicionalistas, acostumados a uma inércia de padrões pré-estabelecidos para modelagem de empresas, mesmo em ativos com clara diferenciação de análise, como em negócios de base tecnológica.

Fato é que atualmente o país já conta hoje sim com profissionais financeiros com boa experiência na análise de empresas de tecnologia, em particular nas casas de gestão de investimentos em Venture Capital (Capital Empreendedor para Startups/Scaleups). Alguns profissionais, em geral conectados aos principais ecossistemas de inovação e empreendedorismo no país, começam a quebrar o paradigma da relação direta entre Equity Research e Venture Capital, na estruturação de instrumentos reais para retorno junto às principais empresas de tecnologia no mundo, com abundância de informações que subsidiem suas tomadas de decisão na alocação de recursos.


A Catarina Capital é uma das casas pioneiras neste movimento. Enxergamos um enorme potencial na composição de times híbridos de gestão de investimentos: profissionais com densa formação em tecnologia, atuando em conjunto à experiência de nomes referenciados no Buy & Sell-side nacional. Uma verdadeira equipe de Venture Research aplicada ao contexto de Equities, com profissionais que agregam, lado a lado, trajetórias nas principais casas de Venture Capital e Bancos de Investimentos do mundo.


A oportunidade de se investir nas principais empresas de tecnologia do mundo é latente: há um abismo histórico de rentabilidade entre bons ativos locais e reais oportunidades de resultado em ativos estrangeiros. O NDX - índice que reúne os 100 principais ativos da NASDAQ - por exemplo, atingiu rentabilidade superior aos 50% ao ano nos últimos 12 meses, número catapultado pelo favorecimento de soluções digitais frente às restrições sociais da pandemia. Há uma sequência de gestores, essencialmente fundamentalistas, na linha de frente de fundos internacionais que perfazem consistentemente retorno na faixa entre 105% e 130% do NDX. A comparação é ingrata frente aos melhores instrumentos do Mercado Financeiro local, que retornam valores incrementais do CDI, mesmo nos tempos pregressos à pandemia. Trata-se, indiscutivelmente, de uma diferença muito grande de geração de valor ao investidor em visão de médio e longo-prazo, mesmo num eventual contexto de variação cambial: fundos expostos a ativos estrangeiros em tecnologia apenas seriam superados por ativos locais num cenário drástico de fortalecimento do Real, com Dólar descendo a níveis abaixo da metade do valor apurado atualmente.


Investir em empresas de tecnologia é, em resumo, uma via bastante eficiente de diversificação de uma carteira de investimentos, como forma de descorrelação frente a ativos costumeiros distribuídos pelo mercado. Como em toda classe de ativo, o espectro de alocação pode ser vasto, abrangendo desde empresas como as FAAMGs (Facebook, Amazon, Apple, Microsoft e Google/Alphabet), até líderes no segmento SaaS (software como serviço), soluções em streaming, mobilidade, meios de pagamento, e-commerces/marketplaces, devices, games, infraestrutura de dados - até mesmo líderes em semicondutores e biotecnologia. Contar com equipe especializada, não somente em ações, mas fundamentalmente em tecnologia, é elemento importante na condução de estratégia sólida para formação de carteira.


Na Catarina Capital, ao longo de nosso primeiro ano de construção do Newton Tech Fund, nosso primeiro veículo para investimentos em empresas de tecnologia globais, aprendemos que o caminho para aproximação e engajamento de investidores vai muito além da entrega de retorno: passa pela proximidade e clareza de informações, no estímulo a um mercado cada vez mais consciente, com clareza de suas alocações mesmo diante de estratégias que possam sugerir maior complexidade de análise.


Neste lançamento do Newton ao mercado, é inevitável destacar como nossa base inicial de investidores concentra, em bom volume, pessoas experimentadas em tecnologia, mas que buscam uma equipe de apoio para consulta de informações e detalhamento de suas impressões sobre as principais oportunidades de mercado. Nosso desafio é expandir o leque de relacionamento para democratizar o acesso a ativos de base tecnológica a uma gama expressivamente maior de investidores. Afinal, precisamos romper alguns paradigmas para também contribuir, à nossa medida, com o contínuo amadurecimento de nosso mercado de capitais: o primeiro deles, ao mostrar que acesso a times de investimento de alta especialização não deve ser privilégio apenas dos maiores alocadores; o segundo, e talvez mais importante, ao quebrar a máxima de que brasileiros não são capazes de criar produtos financeiros verdadeiramente competitivos na análise de ativos estrangeiros. Será um prazer compartilhar um pouco de nossa experiência à frente do Newton Tech Fund de tempos em tempos, em futuros artigos, abertos a ouvir sugestões de todos ao longo de nossa jornada.


F=ma.


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